Auto de João da Cruz (2020)

 "A peça Auto de João da Cruz, de 1950, dá início à fase de maturidade da obra teatral de Ariano Suassuna, cujo cume será alcançado com as comédias que o tornaram conhecido em todo o Brasil e projetaram seu nome para além das nossas fronteiras — sobretudo com o Auto da Compadecida, escrito cinco anos depois. Uma maturidade alcançada relativamente cedo, por um jovem escritor de 23 anos de idade, e perceptível não apenas do ponto de vista do texto, da chamada literatura dramática, com o tratamento erudito da matéria poética extraída do Romanceiro Popular Nordestino; mas, também, do ponto de vista dramatúrgico, das potencialidades cênicas que o texto apresenta, de toda uma carpintaria teatral que a melhor crítica do país nunca cansou de reconhecer e louvar. 


Muito provavelmente, o resultado extraordinário obtido com o Auto da Compadecida foi decisivo para que o autor, perfeccionista confesso, reescrevesse o Auto de João da Cruz ainda em meados da década de 1950. A peça, que fora premiada em concurso promovido pela Secretaria de Educação e Cultura de Pernambuco e saudada por Hermilo Borba Filho, no jornal Folha da Manhã, como aquela que havia criado o “Teatro do Nordeste”, ganhou, assim, a sua versão definitiva, consideravelmente estendida e com uma nova personagem, Regina, de grande importância na trama e na salvação final do protagonista João da Cruz.

 

O texto da peça, porém, permaneceu rigorosamente inédito por mais de 60 anos, até ser incluído, em 2018, no Teatro Completo de Ariano Suassuna, obra em 4 volumes publicada pela Editora Nova Fronteira, e que tivemos o prazer e o privilégio de organizar. No tocante a montagens, a única notícia que se tem de uma anterior a esta, que a Cia OmondÉ traz agora a palco, sob a direção de Inez Viana, é a de um espetáculo realizado por um grupo de estudantes da Paraíba, e que chegou a ser apresentado no Recife, em 1958, no âmbito de um festival de amadores.


A presente montagem, portanto, já nasce histórica, não apenas porque comemora os dez anos de efetiva atuação da OmondÉ (cuja estreia em palco se deu em janeiro de 2010, com outra peça de Suassuna até então pouquíssimo conhecida, As Conchambranças de Quaderna), mas porque é esta a primeira montagem profissional do Auto de João da Cruz — espetáculo que, temos certeza, dará  muito o que falar." Por Carlos Newton Júnior

Ficha Técnica

Texto Ariano Suassuna
Direção Inez Viana
Elenco André Senna, Elisa Barbosa, Iano Salomão, Junior Dantas, Leonardo Bricio, Luis Antonio Fortes, Tati Lima e Zé Wendell

Direção de movimento Denise Stutz
Assessoria dramatúrgica Carlos Newton Jr.

Iluminação Ana Luzia de Simoni  
Figurino Flavio Souza  
Cenografia Nello Marrese
Cenotécnico André Salles

Consultoria musical Fábio Campos
Assistente de direção Joel Tavares

Operação de Luz Rodrigo Menezes

Assistente de Iluminação João Gioia
Programação visual André Senna
Fotografia, vídeo e redes sociais Rodrigo Menezes

Produção Pé de Vento Produções e Eu+ Ela Produções Artísticas
Direção de produção Douglas Resende
Produção executiva João Paulo Rodrigues

Diretor de Palco Matheus Ribeiro
Realização Cia OmondÉ

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